Orgulho de Estudante
“Joana & Alberto”. Estava escrito em quase todas as folhas do caderno da moça. No dele, só nome dela, Joana, com esferas - que seriam pétalas, em volta do “o”. Porque ela escrevera. Depois de tanto tempo de namoro, estava ocupado demais nas aulas para escrever o nome da namorada na contracapa do caderno, e ainda com ‘enfeites’. Não era porque mulher é quase sempre mais sentimental. Ela viera de uma distância de 540km, morar e estudar na mesma cidade do namorado. O que deu ímpeto para que se interessasse pelos estudos, já que apenas passando para uma faculdade pública poderia mudar de sua pacata cidade, para Belo Horizonte, onde Alberto morava.
Alberto... Vinte e sete anos. Passara anos dedicados a cursinhos, não havia aproveitado praticamente nada de sua adolescência. Maior parte das noites de sua vida jovem fora entre quatro paredes, com um livro nas mãos. Sempre sonhara em entrar no curso de medicina, tendo como exemplo o avô. E, de certo modo, o pai, porém este não tanto, devido a certa rejeição por tê-lo flagrado flertando com uma voz um tanto meiga de mulher na extensão do telefone, enquanto sua mãe dormia. Isso há oito anos atrás. Na época, chorou, contou para sua mãe, os pais divorciaram. Brigou com seu pai, saiu de casa. Jamais o perdoaria, ‘um safado, sem caráter’, pensava.
Anos depois, seu nome finalmente estava lá, em décimo quinto lugar do curso de medicina na melhor faculdade do estado. Foi o intervalo em que a rotina dos seus estudos diminuiu, um pouco, e conheceu Joana na volta a sua cidade natal, quando saiu pela segunda vez após a noticia de aprovação – a primeira foi para comemoração. Num bar ficaram amigos, trocaram telefone, saíram empolgados, uma semana depois, começam a namorar... Mal se lembrava da última mulher com quem havia se relacionado. E Joana era tão acessível, tão sorridente, diferente dele, retraído e tímido maior parte do tempo. Não que não fosse um rapaz atraente. Era. Percebia que atraía olhares de algumas mulheres, mas sempre enquanto esperava um ônibus, na fila do banco, no curso... ‘Mas não, não é lugar nem clima para algo’, pensava. Pegar telefone para combinar algo? Quase como atravessar o Pólo norte sem roupa. Mas o telefone de Joana estava ali, na sua agenda eletrônica. E ela era divertida, bonita. Fez com que ele acreditasse que ‘os opostos se atraem’, e de fato, fora da matéria de física. Por mais que pensasse consigo que “Não é a mulher que imaginei para mim”, sentia amá-la, talvez por ser alguém diferente. E fez ela se apaixonar perdidamente por ele, e pelas poesias que escrevia com o nome dela, no início do romance. E pela cidade que ele morava. Depois, pelos estudos – o que era inédito.
Joana tinha vinte e dois anos, cabelos muito loiros, quase dourados, e dúvidas sobre o que cursar na universidade. Decidia-se entre Jornalismo, Odontologia ou Educação física. Era freqüentadora assídua dos bares da cidade, das festas, sempre acompanhadas de beijos de homens diferentes. Isso mudava normalmente de semana para semana, ou de festa para festa. Alberto havia inovado os seus pensamentos. E rapidamente, as caras das noites se tornaram ‘Ele’, de semana para semana, já há dois anos. Sem festas. Sem bares.
Em uma tentativa de ficarem mais próximos, rapidamente mostrava-se determinada. Foi cursar Psicologia, estava entre os menos concorridos. Na mesma cidade de Alberto, na mesma faculdade, em Campus diferente. E era certo que se viam todos os dias, à noite. Era certo também que ele sempre saía uma hora e meia da manhã da casa de Joana, seguindo a pé para sua casa, e ligava em seguida para dizer que chegou.
Menos naquela noite. “Eu não vou agüentar... Porque ele ainda não ligou? Ele sempre liga quando chega em casa.”, dizia, agoniada, ao telefone com uma colega de sala. “Acalme! Você é muito aflita. Disse que não faz nem vinte minutos que saiu”. “Mas a casa dele não fica tão longe. Acho melhor eu...”.
Desliga o telefone. Impulsiva, vai até a casa do rapaz. Tinha a chave. Entrava pela sala enquanto o ouvia, usando uma voz serena, e percebeu que falava ao celular. Parou logo, e ficou a ouvir, em silêncio. Na mesma conversa, “minha linda” e “mas Silvana...”.
Gritou com Alberto, deu socos em seu ombro, chorou, gritou mais, repetiu tudo, e foi embora.
“Pai... Me desculpa” – Alberto finalmente disse, em uma ligação, na noite seguinte.
Joana até ficou sem rumo por um tempo. Continuou a faculdade, apaixonou-se por psicologia, e voltou a sair, a beijar vários tipos diferentes, semanalmente. Agora Alberto já não era mais o seu oposto. E já não se sentiam mais atraídos um pelo outro.
Depois de praticamente uma vida, volto a atualizar este discreto e singelo blog. Agora, colocarei disponível pra comments. Uma das 'historinhas' que fiz esses dias.. Não sei se gostei.. mas deu vontade de escrever, como se estivesse com muito tempo sobrando e nada mais produtivo pra fazer.
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2 comments:
alô, 1 2 3 testando...
Jah q eu prometi comentar ontem e soh comentei hoje, vou deixar mais uns coments tbm hehehe... nao vou falar com oq parece senon vc vai me acusar de ficar te comparando com uns caras meia boca por ae... tipo G.G. Marquez :P
Vc tah lendo mta coisa dele por sinal hehehe... vai uma pitada de literatura anglicana ae? xD
Ficou melhor do que o primeiro ;)
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