"- Parece um menino, esse cabelo! Não tá bonito, não". E Ana coçou o genital macho que não tinha.
Bruta voz jovem que lhe apontava numa esquina. Rouca... som tão novel, palavra gagá. De mundo pronto, cansado, vivido, padrão...
Ela não queria frase feita, estereótipo, definição, medida, números, esses frios, calculistas! Era mal-criada. 'Lambia a rua que sabia dos micróbios'. Uma torta. E pegou a tesoura pra entortar o cabelo e combinar. Diminuiu a saia e replicou que sua traseira de mulher, delicada e colidente, não lhe negava.
Não queria a amargura racional, sofrimento de realidade azeda consentida... Queria a simulação do homem que se faz ator e pega no seio alheio por ofício... Queria tirar a máscara do prazer falso e intento e vesti-la no palco, que despe a atriz que veste a puta, na cara dura, queria contradição. Queria o intenso, ser a vilã e cruzar com o mocinho, pra ver no que dá.
Sunday, April 16, 2006
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