Tuesday, January 10, 2006

Achados e perdidos..

Em primeira pessoa, de novo.

Não nego que não desejo, e acho que nunca irei querer ver as suas lembranças expiradas da minha mente, assim, contrariando a todos os ditames dos meus pensamentos casualmente coerentes. Aqui, sentada novamente com propósito nenhum, esta errante que efusivamente ao vácuo, fala. Nessa tentativa incessante de tornar-me impetuosa, mesmo utilizando palavras tão repetidas, e, nunca ditas. Ainda não cansada, com aquelas palavras plagiando canções e poesias, porque eu queria as ter escrito para que você as pudesse entender sem cobrar uma razão, e assim pudesse bradar livremente minhas então verdades. Aquelas canções que entram em seus ouvidos e, serenamente, estimulam sua emoção, do mesmo modo daquelas canções que cantam o Rio de Janeiro, e assim levando o ouvinte até Ipanema e Copacabana, ou aquelas canções-conto do Chico Buarque, transformando qualquer um em herói capaz de enfrentar os batalhões.

Insisto ainda com o vácuo, ainda não aceitando que a única voz que agora me corresponde é do clamor, da minha angustia, que responde por que ecoa. Um clamor que aos poucos se torna, lentamente, silencioso, até poder transcender o som do piano que agora ouço. Que parece pedir às notas para ser mais nebuloso, e chegando até o som delicado dos dedos tocando as teclas. É que, assim como este, meu brado, mesmo sem antes ter chegado ao real destino, retorna, e perde sua potência, é a minha coragem. É a consciência da minha razão, quase extinta, que não tem força para ser, porque traz com ela a minha insensatez, e lembra meu caminho em direção ao “ser melhor” ainda não terminado. É o medo de não terminar.

Não tão insensata. Não ainda alucinada. Não quero encontrar-me se assim for a realidade. Porque não deixo de saber o óbvio que, a morte é um verbo, e no tempo “faz de conta”, à noite, em meu quarto. Do mesmo modo em que a palavra amor é tantas vezes vulgarizada aos quatro cantos do mundo. E do mesmo jeito em que alguém se joga do avião, apenas por estar com o pára-quedas. E, do modo quase insuperável, este fato de parecer nunca terminar as palavras encontradas e perdidas que transcrevo, e sem não querer censurar tudo depois.

1 comment:

Anonymous said...

Isso sim que eh coisa de gente grande :P (sem trocadilhos com altura)

gostei do estilo arcadiano... O texto ficou suave... mas como sempre, acho q um pouquinho de bucolismo aqui e ali ficaria bem bonito... Mas como eu sou suspeito de eco-terrorismo, eh melhor eu me calar quanto ao bucolismo xD